quarta-feira, 20 de julho de 2011

Outras palavras (ou uma tentativa de ressuscitar)

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Há algum tempo não escrevo nesse blog. Já comecei e não terminei vários outros posts. Como se nenhum tema fosse realmente válido para estar aqui. Como se a vida já não fosse dramática ou cômica o suficiente em si mesma. A proximidade dos 30 - e a eventual "crise" que vem acompanhada dessa idade - foi o que motivou a existência desse espaço. Porém foi quase o mesmo momento que ouvi: "como seus textos são dramáticos! Que drama é esse?!" O comentário ficou comigo. Ficou porque houve um tempo que eu era um poço de dor ambulante. E carregava meu próprio inferno na cabeça egoisticamente só pra mim. Dor e neurose que se consumiam em si mesmas e fabricavam novas dores, só pra mim. Um tempo em que eu me sentia incapaz de agir no mundo sem deixar de escolher a dor que sempre me levava ao caminho do irrealizável. A dor, personagem de si mesma, buraco negro avassalador, totalmente viciante, inebriante. Os sentimentos ali, pungentes, doendo, sangrando - só pra mim, só pra mim. Um poço de águas profundas tão atraente, tão irresistível. Saltava ali todo dia no meu mergulho interior. E ali fiquei por muito tempo. Até o fatídico comentário sobre o meu drama. Que dor é essa que se alimenta de si mesma? De onde vem esse drama que não é vivido, mas imaginado e que inspira medo? A dor em paradoxo: medo de perder a dor, medo que ela aumentasse com as vicissitudes inevitáveis da vida. A dor é assim: pensamento tautológico e circular que não sai de si. Daí resolvi desprezar a dor e viver, abrir a porta do quarto, mudar de apartamento, mudar de ares. Sensualizei a vida nos meus sentidos. E a vida é dor, mas não a dor que é minha. Mas dor que se vive e se descobre no outro e na própria realidade. A dor do desejo, do amor. Vai e volta e quando chega em mim já é outra coisa. Essa dor, quase uma inquietação, me leva pra frente, me faz realizar. Foi essa dor que me deu palavras que não brotam só da minha cabeça. Não sei se consigo escrever com elas. Mas levanto todo dia e tento, tento, tento, tento. Tentarei. De novo.
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p.s.: Essa postagem é também uma tentativa de ressuscitar minha participação em outro blog coletivo O Retorno de Saturno.

2 comentários:

Alexandre Henrique disse...

Ahh Maria que saudades, vc quase nunca escrevia aqui, tenho acompanhado este blog a um tempo. Sobre a dor vejo que vc realmente sentiu e viu muitas coisas neste tempo. Todos nós temos nossos motivos e a dor realmente pode ser uma gravidade negra que nós atrai para um poço sem fundo. Saúdo a sua maneira de encara-la. Desejo-lhe sorte e saúde. Juro que imaginava que vc fosse bem mais velha... Entendo este lance de crise da chegada dos 30, até pq eu tb estou nessa.
Fiquei muito feliz e surpreso em te ler de novo.
Eu penso que vc deve escrever o que quiser, pois o que vc escrever será produtivo e bonito, ás vezes agente deve esquecer certos comentários e isso é mais importante.

Abraços e beijos de seu antigo leitor, Alex.

Maria B. disse...

Alex, que lindo ver seu comentário! Bom saber que mesmo assim, perdida na net, é possível fazer conexões com pessoas de sensibilidades parecidas. Prometo aparecer mais e não me censurar pelos comentários sobre a minha dramaticidade.
Grande beijo