sábado, 28 de fevereiro de 2009

Empréstimo bancário

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Após uma seção de pieguices, o coração continua. Meio aquela historinha de Drummond e todos os amores possíveis. O trabalho, vai bem, obrigada. O trabalho só tem um obstáculo: eu mesma. Especialmente quando fico pirando um dia inteiro em uma frase. Já aconteceu com você? Ficar o dia inteiro tergiversando? Não pode ser bom - e não o é. Confiança é o antídoto. Confiança em que? Confiança de que eu sou a mulher mais bonita do mundo.E não estou falando de photoshop. Um dia inteiro? - ela pergunta. In-tei-ri-nho? É, respondo, 24 horas. Ou mais. É assustador o que fazemos para disfarçar para nós mesmos que a vida existe e acontece por aí. É um fato. Com fiança? Claro, seu coração, sangue e o resto da vida de chicotadas diárias. Não trabalhamos com cartões de crédito. Por favor, pegue seu produto e pague à vista nos caixas localizados perto da saída. Cash, please.
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A little romance

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"I have a secret... I was watching you first".

Olhar para os lados é necessário.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Who's gonna save my soul now?

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Justificar

Ela: Eu, eu preciso de espaço... Eu preciso de tempo para descobrir quem eu sou. Sabe, não é você, não é você mesmo, sou eu e... o timing deste relacionamento. Eu estou tentando descobrir quem eu sou e eu não consigo fazer isso se eu estiver tentando descobrir quem você é.

Ele: Uh, você me consegue outro prato, por favor?

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Ele: Para você!

Ela: Você está percebendo que eu estou terminando com você, né?

Ele: É uma coisa estranha, na verdade ele é seu agora. Eu não sei porque funciona assim, mas eu nunca vou conseguir te superar. Então, de agora em diante, toda garota que eu conhecer vai ser meticulosamente comparada a você, e, infelizmente, nenhuma delas vai chegar a altura da falsa memória do que nós dois "tínhamos".

Ela: Hum... bom, talvez eu possa ficar com ele um pouco e usar para algumas coisinhas como, sei lá, se eu estiver tendo um dia muito ruim, ou se eu precisar de alguémm pra conversar, ou pra mudar alguma coisa de lugar. E, então, eventualmente, eu te devolvo quando nós encontrarmos outras pessoas.

Ele: Infelizmente não vai funcionar desse jeito.

Ela: Por que não?

Ele: Bem, agora que vc tem meu coração, eu sou basicamente uma cavidade vazia por dentro. Na falta de um termo melhor, sem-coração. Eu agora vou tratar todas mulheres que eu conhecer com um comportamento passivo-agressivo, arruinando relacionamento atrás de relacionamento por vários anos que virão.

....

Ela: Eu realmente valorizo a sua amizade... Eu amo... Você está me ouvindo?

Ele: Não
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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Monologue

[Roteiro]

[Cena: menina entra no quarto. Uma cama de casal. Um menino dorme nu enrolado pelos lençóis. Alguma luz entra pela fresta da cortina. É cedo pela manhã. A menina usa calça jeans e uma camisa xadrez folgada, cabelos molhados. Ela senta na poltrona no canto do quarto fumando um cigarro. Abraça as pernas enquanto olha de forma melancólica para as costas nuas do menino. Ela fala baixinho]


That's it. I don´t know what to say anymore. Things got confused. I don't know, you seem to bring the worst part of me all the time... my insecurities, my dramas, my fears. I was always so proud that I was really mature in life... but this, I must confess, I don't know how to handle this. Anyway, I think I need to find some sense of belonging in life. I need to belong to some place, to someone. I need to recognize my friends again, my life and, above all, myself. I wish you could be part of this confusion that goes on and on inside me. I wanted so bad to share this with you. Because, after all, that's what we are, isn't? Just a bunch of confusion with a little sentiment to make it all bearable. But you... you always pulled yourself away. There is this barrier between us all the time. It seems crazy to say it, but all I wanted was to really touch a part of you. Like when we are in bed, after you were inside me, I wanted to slide my hand over you body and feel like I affect you somehow. Like it was possible to reach your soul by touching your skin. I wanted no boundaries so that this feelings that are hidden inside me could break free without fear. Just a little sign would have been enough, a look, a hug, something that showed me that you care, that you miss me... Just a little sign to fool myself into thinking that this could be real. I can't help wondering how come this indifference is possible when our taste and smell goes so fine together. I just realized that I don't even know when your birthday is... Isn't that just sad? Well, I guess the strangest thing is that this thoughts take place inside my head and I feel alone and insane... a lunatic. It was just a dream? In this picture in my head there was me and you in a beach watching the sunset, but now I know you were never there. So I guess I made everything up. This shouldn't happen, love isn't something you do alone. Either you love someone and be with this person or don't. Now you're just this prison I locked myself into.
I say I need more and as the time passes me by, life goes on. And I need to belong, I need... life.


[A menina levanta, pega a mochila no chão perto da porta e sai.]


O texto veio na minha cabeça em inglês mesmo. Ando lendo muito só in english, acaba por contagiar os pensamentos também. E, na minha cabeça, a voz é da Kate Winslet, mas a menina parece a Alice Braga. Morena, cabelos enrolados compridos. Ela tem um comportamento meio nervoso, meio neurótico. E ela fala tudo isso meio tremendo, segurando o cigarro numa agitação contida, a voz quase em off na cena. É um dia de semana e ela acorda de uma noite "perfeita" com esse quase namorado de muito tempo. Mas a vida precisa mudar, precisa nascer. Ela diz isso tudo, mas não para ele. Ele não entenderia. Ela diz e vai embora. Clousure. Fim. The end.
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

I want love


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Amor é um tema recorrente, permeia tudo. Eu sempre fugi. Sempre deixei lá num canto encostadinhas as possibilidades do amor. Mas eu cansei do não-amor.Cansei dos joguinhos de fingir e de não me ligarem no dia seguinte. Cansei de me esforçar em não me importar. Cansei de não ter aquela mensagem carinhosa do celular. Cansei do não. Eu queria a entrega, a queda livre nos braços de alguém-amor. Menos Romeu e Julieta e mais Tarcísio e Glória. Menos vermelho e mais rosa. Menos delírios e mais intimidade. Menos posse e mais companhia. Menos egoísmo e mais generosidade. Menos fantasia e mais pele. Menos preconceito e mais aceitação. Um amor de estar junto, de mãos dadas. Um descanso. Um amor nuvem-algodão-doce. Leve, que me permita ser eu-junto-unido-misturada. Um casamento de ideais não-idealizado. Sexta feira que que acaba em domingo sem que se saiba onde começa um e termina o outro. Sem fronteiras. Que me invada. Adélia bem disse, amor feinho, doido por sexo. Um amor que se vive e não se pensa. Quero desses. Meu coração pulsa e espera.


É uma outra felicidade, essa que tem no desejo a sua condição. Trata-se de uma felicidade que se faz possível uma vez que o sujeito tenha podido não tê-la. Uma vez que ele tenha podido dar lugar àquilo que falta, àquilo que escapa a toda e qualquer aspiração de unidade, de mestria, e de domínio de si. Nesta outra felicidade, o bom encontro (a bonheur) não é mais aquele que A CADA VEZ não se dá no encontro marcado com o Outro. É um bom encontro que se dá, quando não se espera. Como no chiste, essa outra felicidade “designa, e sempre de lado, aquilo que só é visto quando se olha para outro lugar” (Lacan, 1957/58a, p.29). É a felicidade que se acha, quando se procura por outra coisa. É a felicidade que se esvai, que não se fixa, que é apenas encontro. Um bom encontro.
(O sujeito freudiano em busca de felicidade, dissertação de mestrado de Amanda Pilão)
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Adiante


A vida é feita de escolhas. Não se iludam, o destino pouco tem a ver com o beco sem saída que se apresenta. Insista nos caminhos errados e talvez você nunca verá a luz no fim do túnel. Salvação, redenção? Fica bom nas novelas. A rotina traz só o cansaço. Perdi a minha capacidade de ser bonita, as olheiras são muitas, roxas e profundas. Talvez haja esperança em meio a tantas apostas perdidas. O fim é também começo. Me levanto.
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