sexta-feira, 5 de junho de 2009

Resiliência


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"Não estou conseguindo aceitar"
Antonella Pareschi, namorada do maestro Sílvio Barbato, passageiro do voo 447, vive a angústia do desaparecimento: "Eu às vezes acho que seria melhor não aparecer nada, nunca, porque aí jamais vou ter certeza absoluta de que ele está morto"


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ÉPOCA – O que é para você ficar sem ele?


Antonella – Ele foi o grande amor da minha vida. Não sou ligada a meus pais, ele era tudo para mim. Sempre fui uma pessoa meio para baixo até ele aparecer, sempre de bom humor, otimista em todas as situações. Nunca o vi de mau humor e isso é verdade. Um homem realizador, muito apaixonado, um sonhador, acima de tudo. E também uma influência enorme na minha carreira. O maior incentivador do curso de aperfeiçoamento de violino que eu estou fazendo em Roma. São muitas viagens, meus filhos são pequenos, precisam de mim. Eu cheguei a pensar em desistir, mas ele não deixou. Minha conclusão do curso seria na semana que vem. Mas eu não posso nem pensar em entrar num avião agora. Talvez eu consiga um adiamento. Mas, se isso não acontecer, vou arrumar alguma força para ir, por ele até mais do que por mim.


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ÉPOCA – Muda alguma coisa para você aparecer corpo ou não?


Antonella – Não sei. A maioria das pessoas com certeza prefere um corpo, um enterro, prefere a certeza. Eu às vezes acho que seria melhor não aparecer nada, nunca, porque aí eu jamais vou ter certeza absoluta de que ele está morto. Vou estar sempre com a ideia de que ele pode estar náufrago, em algum lugar que ninguém conhece, quem sabe com uma nativa gostosa, como ele sempre brincava?


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