terça-feira, 7 de outubro de 2008

Raio x

.
.
Era algo que ela nunca havia percebido antes, mas que agora estava bem ali diante dela. Algo que ela não conseguia ignorar. Sabe as pessoas? Sabe aqueles corpos que perambulam por aí? Corpos que andam pelas ruas se esbarrando, se tocando furtivamente como se fosse por acaso. Era como se ela pudesse enxergar nitidamente o espaço que havia dentro dela e dentro de cada um ao seu redor. Um vazio sólido, duro como pedra. Um vazio que enche as pessoas de neuroses. Porque saber-se vazio é enlouquecedor para alguns. Esse espaço interno que denuncia nossa incompletude, nossa necessidade do outro, do gozo, do mundo e que, de tão intenso, é freqüentemente ignorado ou escondido por uma lembrança ruim no subconsciente. Um espaço do qual ela nunca havia se dado conta antes daquele dia em que ficou sem dinheiro pra voltar pra casa. Perdida no centro da cidade, ela pôde sentir aquela inexistência. Porém, tudo o que ela conseguia ver eram olhares condescendentes e palavras sussurradas a esmo. Nenhum, nenhum calor humano. É a vida, diziam. Quase ninguém consegue se dar hoje em dia. Então ela percebeu que as coisas que haviam dentro dela simplesmente não eram. O único beijo possível encontrava-se a seiscentos quilômetros de distância. E quem poderia garantir que continuava no mesmo lugar? O tamanho da carência alheia sempre havia lhe incomodado. E a sua própria carência lhe era insuportável. Lavou o rosto, escovou os dentes, botou o pijama. E teve a exata noção de que o vazio nunca poderia ser preenchido a não ser dela mesma. Sem subterfúgios dessa vez.
.
.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Quatro anos sapateando

.
.
Posto aqui os comerciais do TSE para as eleições 2008. Geniais. É a segunda vez que posto comerciais das eleições aqui, são mesmo muito criativos. Choro de rir com o do sapateado. Veja. Mas veja mesmo. Só pela criatividade que ninguém aqui tá discutindo política. Só discuto política quando me pagam. E bem, diga-se de passagem.


.
.

.
.

.
.

.
.

Laerte


.
"Troco todo o meu sangue por um saquinho de surpresa".
Sim, por favor. Troco até mais, se me pedirem.
.
.