segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Revolucionários

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O senso comum é uma merda. Aliás, merda não, é muito mais que isso. É como se fosse uma praga que impregna a mente e o comportamento das pessoas. Quer saber como agir? Não se preocupe, sua mente automaticamente colherá informações do senso comum e lhe dirá o que fazer. É assim que é com a maioria. O tempo todo existe um apelo dotado de uma força magnética irresistível que tenta puxar mais e mais gente para o imenso bolo do senso comum. “Tá na moda, então deve ser bom e eu tô fazendo”. E ah, não são lindas as roupas da mocinha da novela? E essa micareta? E, claro, tem aquelas mil pessoas com as quais eu preciso trepar para não me sentir tão só nos finais de semana ou nos momentos em que não estou apertando parafusos na minha vivência diária de operário. Faça tudo isso e não leia muito jornal porque dá trabalho e pode ser muito perigoso. O senso comum se assusta quando alguém decide fazer o que quer por vontade própria. Escolher seu próprio caminho é algo totalmente diferente para o senso comum. A independência é reverenciada como algo quase mítico. É tão exótico isso de fazer o que se quer, não é mesmo? Tão assim... revolucionário. Ah, mas tem certeza de que você não quer tentar um concurso público? E as pessoas no meio daquele bolo olham e comentam: nossa, mas que coragem! Coragem? Não metam a coragem nessa história porque ela nunca teve muito a ver com isso. Simplesmente não existe outra opção. Não mesmo. No formulário que me deram antes que eu aceitasse sair chorando naquele quartinho de hospital constava só uma opção. Talvez eu devesse ter prestado mais atenção nas letrinhas minúsculas do contrato. Não deu tempo. Era pegar ou largar e eu peguei. Nunca larguei. Nunca aceitei essa história de ser feliz só nos intervalos ou nas férias anuais de 15 dias. Tadinha dela, é tão inteligente que nunca vai casar. É tão corajosa essa menina... Em alguns anos, talvez, as pessoas poderão admirar a tal mulher "corajosa" que se unirá a outros como ela numa sala de museu onde cobrará muito caro por suas opiniões e aparições públicas. E isso nada tem a ver com dinheiro, que fique bem claro.
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4 comentários:

tatiana disse...

Isso tem a ver com fidelidade, na minha opinião. Ser fiel a si mesma. E o resto que se exploda.

Alexandre Henrique disse...

Também não concordo que o senso comum facilite a comunicação. Mas ser diferente é tão comum shsh. É engraçado, pra proteger a nossa individualidade acabamos absorvendo os outros, claro, os modelos. Ah podia ser até culpa da democracia liberal, mas sinceramente, acho que é coisa da sociabilidade humana, pessoas são facilmente atraídas pelas outras, matéria, espírito, personalidade, etc.Tudo tem gravidade. E no final, ser revolucionário é acabar atraindo mais pessoas para o senso comum. Irônico, é que a individualidade estará sempre protegida, pois ninguém vive em um ¨eu¨ vazio, e o mais irônico ainda é perceber que mentimos para nossas verdades mais sagradas. É velha questão da linguagem. Usamos o senso comum, por mais profundo que seja o nosso conhecimento. Não funciona, só funciona quando estamos sós, e quando estamos? Quando moldamos o nosso caminho, com nossas próprias patas, ah sim é claro isto é a moda shsh. Atrair acaba sendo mais importante do que penetrar.

Maria B. disse...

Eu não tô a fim de ser diferente, pelo contrário... Concordo em parte com o que você falou. O senso comum acaba tomando conta da sociabilidade humana, afinal, todo mundo quer fazer parte da turma, né? De qualquer turma... Mas, não era bem sobre isso que eu tava me referindo no post. Aliás, é bem mais simples que isso. É só que fazer o que se quer parece ser muito revolucionário frente a várias pessoas que seguem a boiada. Mas não deveria ser, pelo contrário deveria ser a regra, não?
beijo

Ostra disse...

É, entendi tudo o que escreveu - o que se resume no último parágrafo.
As pessoas acham que a gente "não deu certo" e que se enfia nos estudos por causa disso. A gente trabalha, trabalha, trabalha e nunca alcança uma "boa" situação financeira (defina boa) o que faz com que nos considerem a little bit losers - mas abafa.
Se tivessemos cursado o normal, depois magistério, tivessemos aberto um escritório de advocacia na cidade de nossos pais (ou esperado sermos efetivadas onde fizemos estágio), namorado, noivado e casado (para depois cumprir o ciclo se reproduzir e morrer)... aaaaaaah aí sim!
Na época em que descobrimos que não tinhamos opção - quando não nos entregaram manual de instruções ou coisa que o valha-, vislumbramos um futuro brilhante. Só que o caminho é de esmeraldas e só usadoras oficiais de red shoes conseguem enxergar.
Não dá pra deixar prá lá simplesmente, o que falam e pensam de nós, dá pra continuar nosso caminho a cada manhã.
Ok já entendi que devemos atender a certos padrões ou aprender a abstrair.
Entendi que para sermos profissionais bem sucedidas, devemos deixar de lado a leitura de prazer, o uso compulsivo da internet, ter um ritmo alucinado e absolutamente inegligenciável (neologismo?).
Para sermos mulheres bem sucedidas devemos malhar, comer o básico, saber limpar, cozinhar e arrumar como nenhuma outra.
Parir - embora já tenha mencionado o ciclo.
E teremos então uma o epitáfio. "Foi mulher, mãe, profissional competente. Saudade de seus filhos e netos."
E para sermos nós mesmas?
O meu será mais ou menos assim:
"Foi poeta, bebeu e amou na vida."
Quero todo mundo de branco carregando flores e cantando "o bêbado e o equilibrista".
Sabe que o show de todo artista, tem que continua- ar?