Sábado, 28 de Junho de 2008

A mulher pós-moderna-erna-erna



Eu até achava graça vendo Carrie e companhia saírem em busca do homem ideal por Nova York. É o que eu sempre digo, não gosto de comédias românticas, mas quem resiste a ver pessoas bonitas se pegando? Ainda mais se estiverem usando roupas de designers famosos e sapatos Manolo Blahnik. Life in plastic is fantastic, baby. Era engraçadinho e o seriado acabou. A mim sempre pareceu que aquelas mulheres tão descoladas não passavam da representação do estereótipo feminino que já existia por aí. Neuróticas, carentes, um pouco fúteis. Elas nem eram tão liberadas assim sexualmente. Há Samantha Jones, claro, mas sempre houve mulheres como ela, tão exóticas e exageradas quanto, caricatas do tipo one-night-stand, quase um personagem ambulante que raramente eram levadas a sério ou subiam ao altar. No último episódio, a fórmula felizes-para-sempre não mudou: cada uma com seu devido relacionamento engatilhado. E se a princesa encontra seu príncipe encantado, tá tudo certo, né?

O lançamento do filme trouxe de volta os personagens. E também certo exagero ao dizer que a série teria revolucionado o paradigma feminino contemporâneo. Paradigma feminino contemporâneo?! Hein?! Por quê? Por que o programa mostrava mulheres falando e querendo sexo por puro prazer? Por que eram histórias contadas do ponto de vista feminino? Por que colocava sem culpa sapatos e roupas como itens tão indispensáveis quanto aqueles da cesta básica alimentar? E, antes de tudo, o que é esse paradigma feminino contemporâneo? Quem é e o que quer essa tal "mulher pós-moderna"? (sim, sim a modernidade acabou faz tempo, queridos).


Não sei. Só sei que vejo um imenso descompasso entre o que a mulher é na prática e as coisas que dizem que ela é. A mulher não está em sex and the city. E nem na maioria das revistas femininas que encontramos por aí. A revista Nova/Cosmopolitan é especialmente bizarra com suas matérias sobre dicas sexuais (já vi trechos hilários como "cavalgue seu homem com força"). Quem disse que a mulher tem que ser estonteante como uma modelo, saber fazer sexo selvagem como uma prostituta e ainda ser dura e objetiva como um homem?


A gente gosta de moda, sapatos e glamour. Mas ralamos muito e nem temos tanto dinheiro ou tempo pra comprar/acompanhar tudo isso. Então, a gente se vira com aquele lenço do camelô ou uma blusinha da C&A, já que tudo é muito parecido. Sim, sim existem os exageros com a compra daquele sapato caríssimo que vai parar no fundo do armário. E, de vez em quando, estouramos o limite do cartão de crédito por causa daquela promoção imperdível.


Cabelo, unhas e maquiagem. Bom, nem sempre dá tempo e lá vai a gente com o esmalte vermelho descascando. Perdemos a hora de manhã e temos que sair com o cabelo molhado e sem fazer aquela escova. Creminhos ajudam e são bem-vindos, tem a amiga gente boa que vende e divide em três vezes. O amigo que viajou e trouxe aquela maquiagem fantástica do duty free.


Alguns dias, tudo está perfeito, deu tempo de passar no cabeleireiro e o espelho diz que você está linda. Só que, ai, a calça jeans preferida fica apertaaaaaada. Malditos chocolates! Daí é correr pra academia que você vai de vez em nunca, muito incentivada pelo professor de musculação que é um gato.


Ah, a mulher paquera, sim. Ela tem tesão e transar não é um pecado mortal. E lá vai ela tentar gozar junto. Não sem antes ficar com um pouco de vergonha da barriguinha que teima em aparecer ou das celulites no bumbum que o creme importado não dá conta de tirar. A mulher ainda quer um relacionamento, mas, poxa, com tanto homem bonito às vezes é só atração física mesmo. Ou não, quem sabe.


Os homens são um problema. Onde estão os caras inteligentes, interessantes e sinceros? Difícil o homem que não sai correndo, que não morre de medo dessa mulher que sabe o que quer. O machismo ainda existe. A cafajestagem, também. Algumas continuam aceitando. Outras choram, sofrem e seguem adiante solteiras.


E a mulher trabalha e estuda muito, dá duro. Ela pode ser basicamente qualquer coisa, seguir qualquer carreira. Muitas vezes, a gente ainda tem que agüentar aquele olhar do chefe fixo no decote ou o preconceito de algum cliente que não acredita na competência de alguém com tantos hormônios. Fora que, depois de ter que dar tanto duro, aquela vontade de ter filhos fica adiada pra depois dos 35. Com ou sem pai, você escolhe.


E há as mulheres casadas com filhos. Dupla jornada e olheiras. E não raro um marido que não colabora tanto. Loucura. E elas não desistem. Tem o abraço daqueles seres miúdos de bochechas gordinhas, sabe? E isso não tem preço pra elas.


É isso, a mulher pós-moderna é só alguém que busca o equilíbrio em meio a essas tendências velhas e novas. É a lógica do possível em meio a tantas exigências sociais. Somos equilibristas de circo, literalmente. Profissão, casamento, maternidade, aparência. Hum... talvez, malabaristas também. Mas, não, definitivamente não somos sex and the city.

5 comentários:

tatiana disse...

Nossa, eu sempre falo sobre isso com minhas amigas, sempre. Sobre essa coisa de termos que ser tudo-ao-mesmo-tempo-agora. É uma cobrança insana - como se já não bastassem nossas próprias encanações!
E enquanto isso, a gente tenta manter a sanidade. Quase sempre, em vão.

Maria B. disse...

Por isso que muita mulher escolhe ser bibelõ. Cheia de lipos e botox. É mais fácil do que assumir uma postura proativa em meio a tantas exigências. No final das contas, temos é que desistir de querer atender às pressões, senão ficamos loucas!

Zander Catta Preta disse...

Te respondi no meu blogue.

Saudades.

Srta. Rosa disse...

Mmmm... não sei onde estão. Mas se encontrar, compartilha.

Vim por conta do teu comentário no Zanderito. Voltarei outras vezes.

Maria B. disse...

Olá, srta. Rosa!

É um prazer recebê-la. Confesso que leio seu blog e adoro!;)
Volte sempre e não ligue muito para a falta de sentido que impera por aqui.
um beijo